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Rio de Janeiro




O complexo esportivo de Jacarepaguá é ouro na formação de atletas em diversas modalidades


Não é à toa que a faixa com a legenda “Fábrica de Campeões” está colocada logo à beira da pista de atletismo da Vila Olímpica Manoel José Gomes Tubino (Mato Alto), em Jacarepaguá. Afinal, foram daquelas raias que saíram as maiores referências do atletismo brasileiro da atualidade. Nomes como Rosângela Santos, Barbara Leôncio e Victor Hugo Mourão - donos dos melhores tempos em suas modalidades - são exemplos de como se forma um grande atleta. E as medalhas não vêm apenas das pistas de saibro, mas também do handebol, basquete, futsal, dança, badminton, ginástica olímpica, hidroginástica, jiu jitsu, judô, karatê, natação, tênis, vôlei e atividades adaptadas para pessoas portadoras de deficiência.

O diretor do complexo esportivo, Renato Oazen, está radiante com os resultados obtidos por seus atletas. Duas jogadoras de handebol da Vila acabam de ser convocadas para a seleção brasileira: Nadyne Keller e Tamires Lima. Ele espera resultado semelhante quando sair a convocação da seleção masculina, modalidade que já tem quatro atletas da Vila na categoria sub-18 anos. A segurança do diretor está bem fundamentada, já que dos 11 troféus disputados no handebol em 2012, em torneios estaduais e interestaduais brasileiros, nove ficaram com o time da Vila de Mato Alto. Mas a que se deve tanto sucesso?




- Em primeiro lugar, o nosso êxito se deve não só ao trabalho educacional, mas também por focarmos no jovem de alto rendimento. Esse atleta diferenciado serve de estimulo para os demais, torna-se um herói a ser seguido. Os resultados estão aí para que todos vejam e nosso modelo pode servir de exemplo para todas as Vilas Olímpicas. Não existe hoje no país equipe de atletismo com rendimento igual ao nosso nas provas de velocidade.


Dona de duas medalhas de ouro no Pan-Americano de 2011, em Guadalajara, a velocista Rosângela Santos, 22 anos, é um dos exemplos de que fala Oazen. Nos Jogos Olímpicos de Londres, em 2012, a atleta se tornou a primeira brasileira a passar para as semifinais na prova dos 100m, com o tempo de 11s07. “A classificação para a final olímpica bateu na trave”, ela diz. No ano passado, Rosângela alcançou também a segunda melhor marca nos 200m, atrás apenas de Ana Cláudia Lemos. A velocista, que ganhou o primeiro troféu aos 10 anos disputando o Campeonato Estadual Mirim, no Maracanã, treina todos os dias na Vila de Mato Alto com o professor Paulo Servo para melhorar ainda mais o seu tempo e chegar bem aos Jogos de 2016.

Gabriela Mourão, 13 anos, é uma das jovens que seguem as passadas de Rosângela. Medalha de ouro nas Olimpíadas Escolares de 2012, em Poços de Caldas, fazendo 75m com a marca de 9s48, a jovem atleta sonha em disputar as Olímpiadas de 2020. Descoberta nas aulas de atletismo da Escola Municipal Silveira Sampaio - origem de muitos atletas do complexo de Mato Alto -, a menina já sabe o que quer para o futuro:



- Meu ídolo é a Rosângela, quero ser uma campeã igual a ela. Ouço muito os conselhos dela para melhorar o meu desempenho. Sei também que um dia poderei ser um exemplo para muitos jovens. Quero crescer dentro do atletismo e mostrar para todas as crianças que o esporte abre caminhos.

O entusiasmo de Gabriela é fruto do trabalho desenvolvido pelo professor Paulo Servo, responsável pelo surgimento de toda uma geração de atletas de ponta no Rio. O projeto-embrião do treinador nasceu na Escola Municipal Silveira Sampaio, em Curicica, há mais de 20 anos. A unidade virou um celeiro de craques, tornando-se a escola que mais trouxe medalhas em competições esportivas para o município.




- O potencial do jovem brasileiro é enorme e o ponto de partida para o sucesso no esporte está na disciplina. Se trabalharmos bem a base, ou seja, nas escolas públicas, no futuro nos tornaremos um país olímpico. Temos oito mil pessoas treinando aqui na Vila, que eu considero a mais bem localizada do Brasil. Desse total, duas mil são alunos de escolas municipais. Se conseguirmos transformar 1% desses jovens em medalhistas, seremos uma grande potência em todos os esportes – garante Paulo Servo.


Que o diga o professor Fernando Barbosa Oliveira, já acostumado com o brilho dos seus atletas em arremesso de peso e lançamento de dardo. Segundo ele, o mérito maior ainda está na dedicação dos alunos, mas aponta também o excelente parque esportivo que a Vila de Mato Alto oferece. Enquanto ele fala, Alice Rodrigues, 17 anos, campeã estadual no ano passado no lançamento de dardo, treina no campo de saibro. Entre uma orientação e outra do professor, ela conta que treina na Vila há seis anos:

- Comecei a despontar no atletismo na Escola Silveira Sampaio, onde conquistei títulos e troféus. Sou campeã brasileira de interclubes e sonho chegar a uma Olimpíada.


Fernando Barbosa aponta Renan Cazuza Azeredo, de 16 anos, como uma real promessa no arremesso de peso para os Jogos de 2016. O atleta ficou em 6º lugar no Campeonato Mundial Escolar da Austrália, em janeiro, e vai disputar os Jogos Mundiais Juvenis, na Ucrânia, em julho. Barbosa diz que o rendimento dos atletas deverá melhorar ainda mais com a nova sala de musculação que ficará pronta ainda este ano. A pista de atletismo, cercada pelas montanhas verdes de Jacarepaguá, foi construída em tamanho oficial, com seis raias de 400 metros de extensão, reta para salto triplo e salto com vara, além de área para arremesso de dardo. Quando inaugurada, em maio de 2011, a prefeitura entregou também o Ginásio Maria Maciel da Rocha.

Todos que chegam à Vila Olímpica Mato Alto se
deparam com os dizeres: “Você está na Vila mais bonita do Rio. Aspire a natureza e seja feliz!”. Assim deve ter se sentido o homem mais rápido do mundo, o jamaicano Usain Bolt, quando visitou o local em outubro de 2012.

  Fonte prefeitura rj
 Autor: Marco Antonio Costa 
 Fotos: Raphael Lima

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