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29 de set de 2014

Cais do Valongo


O Cais do Valongo - sítio arqueológico na Região Portuária redescoberto durante as obras do Porto Maravilha - pode vir a se juntar à cidade do Rio de Janeiro como Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco.
A Prefeitura do Rio e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) já deram início à elaboração do dossiê técnico para reconhecer a candidatura do Cais do Valongo. Nesta terça-feira (30/09) acontece, no Palácio Gustavo Capanema, a primeira reunião do Comitê Consultivo para a candidatura. 


Revelado em 2011 durante as obras do Porto Maravilha, que está revitalizando área de 5 milhões de metros quadrados na Região Portuária do Rio, o Cais do Valongo foi construído em 1811 pela Intendência Geral de Polícia da Corte do Rio de Janeiro, com o objetivo de concentrar o comércio de escravos, que antes era principalmente localizado na antiga Rua Direita, hoje Primeiro de Março. A vinda da família real portuguesa para o Brasil e a intensificação da cafeicultura ampliaram consideravelmente o tráfico. Entre sua construção e a proibição do tráfico em 1831, ingressaram no país entre 500 mil a um milhão de escravos de diversas nações africanas.


O Cais do Valongo é patrimônio cultural da cidade do Rio de Janeiro e foi o primeiro local no mundo a ser reconhecido como patrimônio da memória da diáspora africana, entrando na Rota dos Escravos, feita pela Unesco. Localizado na Avenida Barão de Tefé, o sítio arqueológico faz parte do Circuito Histórico e Arqueológico da Celebração da Herança Africana. Após o início das obras do Porto Maravilha, estudos e escavações arqueológicas trouxeram à tona a importância histórica e cultural da Região Portuária para a compreensão do processo da diáspora africana e da formação da sociedade brasileira.  


A inscrição do Cais do Valongo na lista do Patrimônio Mundial representará o reconhecimento do seu valor universal excepcional, como memória da violência contra a humanidade representada pela escravidão, fortalecendo as responsabilidades históricas, não só do Estado brasileiro, como de todos os países membros da Unesco. É, ainda, o reconhecimento da inestimável contribuição dos africanos na formação dos povos do continente americano.


O pedido de inclusão obedece a critérios e procedimentos preestabelecidos pelo Comitê do Patrimônio Mundial - fase principal do processo - e se dá no momento em que se comemoram os 450 anos de fundação da cidade do Rio de Janeiro, em 2015, e a década do Afrodescendente instituída pela Assembleia Geral da ONU. A candidatura faz parte de um processo de reconhecimento das matrizes africanas da cidade do Rio de Janeiro, expressa no Circuito Histórico e Arqueológico de Celebração da Herança Africana.

Prefeitura-rj
Fotos: Clarice Tenório Barreto e J.P. Engelbrecht


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